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Varíola dos macacos: o que é, quais são os sintomas e como acontece a transmissão

 

Varíola dos macacos: o que é, quais são os sintomas e como acontece a transmissão

Doença é encontrada principalmente na África Ocidental e Central; casos incomuns têm sido registrados na Europa e América do Norte

Contato próximo com um indivíduo infectado é necessário para a propagação do vírus da varíola dos macacos, dizem os especialistas
Contato próximo com um indivíduo infectado é necessário para a propagação do vírus da varíola dos macacos, dizem os especialistasRoger Harris/Science Photo Library/Getty Images

Sandee LaMotteda CNN

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Uma doença extremamente rara chamada varíola dos macacos, “prima” da varíola, chegou a países da Europa, Estados Unidos e Canadá. O primeiro caso confirmado da doença no Reino Unido, que disparou o alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS), foi informado à entidade no dia 7 de maio.

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A varíola dos macacos é encontrada principalmente na África Ocidental e Central, mas casos fora do continente foram vistos na Europa, incluindo o Reino Unido e outras partes do mundo nos últimos anos. Esses casos estão normalmente ligados a viagens internacionais ou animais importados infectados com a varíola, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos.

Na quinta-feira (19), a Espanha confirmou sete casos em Madri e está investigando outros 22. A Itália confirmou seu primeiro caso. Autoridades de saúde pública canadenses anunciaram que estão investigando 17 casos suspeitos de varíola em Montreal.

Vários casos de varíola no Reino Unido entre pessoas que não têm viagens conhecidas ou contato com outras pessoas com o vírus têm preocupado autoridades de saúde locais e do CDC sobre as causas, mas não há motivo para alarme, segundo o cirurgião geral dos EUA, Vivek Murthy.

“Neste momento, não queremos que as pessoas se preocupem”, disse Murthy. “Esses números ainda são pequenos; queremos que elas estejam cientes dos sintomas e, se tiverem alguma preocupação, entrem em contato com seu médico”, disse o especialista à CNN.

Quais são os sintomas iniciais da varíola dos macacos?

Há um período de incubação de sete a 14 dias, disse o CDC. Os sintomas iniciais são tipicamente semelhantes aos da gripe, como febre, calafrios, exaustão, dor de cabeça e fraqueza muscular, seguidos de inchaço nos gânglios linfáticos, que ajudam o corpo a combater infecções e doenças.

“Uma característica que distingue a infecção com varíola do macaco da varíola é o desenvolvimento de linfonodos inchados”, disse o CDC.

Em seguida vem uma erupção cutânea generalizada no rosto e no corpo, inclusive dentro da boca e nas palmas das mãos e solas dos pés.

As lesões dolorosas e elevadas são peroladas e cheias de líquido, muitas vezes cercadas por círculos vermelhos. As lesões finalmente cicatrizam e desaparecem em um período de duas a três semanas, disse o CDC.

“O tratamento geralmente é de suporte, pois não há medicamentos específicos disponíveis. No entanto, existe uma vacina disponível que pode ser administrada para prevenir o desenvolvimento da doença”, disse Jimmy Whitworth, professor de saúde pública internacional da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres em um comunicado.

Como a varíola é transmitida?

O contato próximo com um indivíduo infectado é necessário para a propagação do vírus da varíola dos macacos, dizem os especialistas.

A infecção pode se desenvolver após a exposição a “pele ferida, membranas mucosas, gotículas respiratórias, fluidos corporais infectados ou mesmo contato com roupas contaminadas”, disse Neil Mabbott, presidente de imunopatologia da escola de veterinária da Universidade de Edimburgo, na Escócia, em comunicado.

“Quando as lesões cicatrizam, as crostas (que podem carregar vírus infecciosos) podem ser espalhadas como poeira, que pode ser inalada”, disse o Michael Skinner, da faculdade de medicina do departamento de doenças infecciosas do Imperial College de Londres, em comunicado.

A transmissão entre as pessoas ocorre principalmente por meio de grandes gotículas respiratórias e, como essas gotículas geralmente viajam apenas alguns metros, “é necessário um contato pessoal prolongado”, disse o CDC.

“A varíola pode ser uma infecção grave, com as taxas de mortalidade por esse tipo de vírus da varíola do macaco sendo de cerca de 1% em outros surtos. Estes são geralmente em ambientes de baixa renda com acesso limitado a cuidados de saúde”, disse Michael Head, pesquisador sênior em saúde global na Universidade de Southampton, no Reino Unido.

No entanto, nos países desenvolvidos, “seria muito incomum ver algo mais do que um punhado de casos em qualquer surto, e não veremos níveis de transmissão no estilo (Covid)”, disse Head em comunicado.

Desinfetantes domésticos comuns podem matar o vírus da varíola, de acordo com o CDC.

Onde se originou a varíola dos macacos?

A varíola dos macacos (Monkeypox) recebeu este nome em 1958, quando “dois surtos de uma doença semelhante à varíola ocorreram em colônias de macacos mantidos para pesquisa”, disse o CDC.

No entanto, o principal portador da doença, a varíola dos macacos, ainda é desconhecido, embora “suspeite-se que os roedores africanos participem da transmissão”, disse a agência.

O primeiro caso conhecido de varíola em pessoas foi “registrado em 1970 na República Democrática do Congo, durante um período de esforços intensificados para eliminar a varíola”, disse o CDC.

Após 40 anos sem casos relatados, a varíola dos macacos ressurgiu na Nigéria em 2017, disse o CDC. Desde então, houve mais de 450 casos relatados na Nigéria e pelo menos oito casos exportados internacionalmente, disse a agência.

Um surto ocorreu nos Estados Unidos em 2003, depois que 47 pessoas em seis estados – Illinois, Indiana, Kansas, Missouri, Ohio e Wisconsin – ficaram doentes devido ao contato com seus cães de pradaria de estimação, disse o CDC.

“Os animais de estimação foram infectados depois de serem alojados perto de pequenos mamíferos importados de Gana”, disse o CDC. “Esta foi a primeira vez que a varíola humana foi relatada fora da África”.

Michael Nedelman, Paula Newton, John Bonifield, Naomi Thomas, Alex Hardie e Benjamin Brown da CNN contribuíram para esta reportagem.

Créditos CNN




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